- Ao ironizar acessório usado pelo ex-prefeito de Mossoró, Rogério Marinho pode estar dando discurso e símbolo de campanha ao adversário
A política do Rio Grande do Norte já viveu situação parecida no passado. Quando o então candidato ao Governo do Estado Geraldo Melo foi ironizado pelo ex-senador José Agripino Maia com a história do “tamborete”, muita gente imaginava que aquilo destruiria a campanha do seu candidato ao governo João Faustino.
O efeito foi justamente o contrário.
O tamborete virou símbolo popular da campanha de Geraldo Melo. Eleitores passaram a carregar tamboretes, usar a imagem do objeto nas ruas e transformar a ironia em combustível político. No fim das contas, Geraldo venceu a eleição e o episódio entrou para a história política potiguar.
Agora, muitos já enxergam um paradoxo parecido surgindo no debate entre Rogério Marinho e Allyson Bezerra.
Ao ironizar o chapéu de couro utilizado por Allyson, Rogério pode estar, sem querer, criando exatamente um símbolo popular para o adversário — da mesma forma que o tamborete acabou fortalecendo Geraldo Melo no passado.
Ou seja: ao transformar o chapéu em tema central do debate político, Rogério Marinho pode ter dado a Allyson algo valioso numa campanha eleitoral — discurso, identidade popular e mídia espontânea.



