A nota divulgada pelo MIDIACOM RN — entidade que representa empresas de rádio, televisão, jornais, portais e revistas do estado — contra o senador Styvenson Valentim soa, no mínimo, deslocada da realidade política atual do Rio Grande do Norte.
Ao tentar rebater as críticas sobre os investimentos em publicidade do governo da Fátima Bezerra, a entidade acaba ignorando um ponto central: o momento em que esse gasto está sendo feito. Estamos em ano eleitoral, com a campanha já em curso nos bastidores, e o governo abre uma licitação de cerca de R$ 36 milhões em publicidade institucional.
É nesse contexto que a fala de Styvenson ganha força. Ao contrário do que diz o Mediacom, o senador está correto ao questionar o volume e, principalmente, o timing desse investimento. Não se trata de ser contra a comunicação pública, mas de entender o cenário: governo com candidato posto, que é Cadu Xavier, e uma máquina de publicidade sendo reforçada às vésperas do período eleitoral.
A tentativa do sindicato de justificar o gasto com percentuais técnicos, como a fração do PIB estadual, soa desconectada da percepção da população. Dizer que não é um gasto supérfluo não responde à principal crítica: por que agora?
Mais estranho ainda é ver uma entidade que representa empresas de comunicação (empresas entre aspas. Não representa a grande maioria) assumir uma posição que parece defender o governo, quando boa parte da mídia potiguar — especialmente blogs, portais independentes e redes sociais — sequer integra o Mediacom e também tem levantado questionamentos sobre esse volume de recursos.
Ao atacar Styvenson, o Mediacom acaba invertendo a lógica. Quem levanta dúvidas sobre gasto público em ano eleitoral cumpre seu papel. Incoerente, nesse caso, é tentar normalizar uma cifra milionária sendo “torrada” em publicidade exatamente no momento em que o jogo político já começou.
No fim das contas, a crítica do senador ecoa em vários setores: o problema não é comunicar, é quando e quanto se gasta. E, nesse ponto, a nota do Mediacom passa longe de convencer.
NOTA OFICIAL | MIDIACOM RN
O Sindicato das Empresas de Rádio, Televisão, Jornais, Portais e Revistas do Rio Grande do Norte, MIDIACOM RN, diante das declarações do senador Styvenson Valentim, que tratam de forma simplista e imprecisa os investimentos em comunicação pública, vêm a público esclarecer:
A publicidade institucional pública é dever do estado. É instrumento essencial de utilidade pública, transparência e prestação de contas, assegurado pela Constituição Federal, que garante à população o direito de acesso à informação sobre serviços, obras, campanhas educativas e ações governamentais. Portanto, não é “gasto supérfluo”. É sobretudo, ferramenta de cidadania.
Os números são claros e desmontam qualquer narrativa e tentativa de distorção. O valor de R$ 36 milhões previsto para comunicação pública representa apenas 0,035% do Produto Interno Bruto do RN, estimado em R$ 101,74 bilhões. No contexto da Lei Orçamentária Anual de 2026, de R$ 27,21 bilhões, esse montante corresponde a apenas 0,13% das despesas estaduais.
Trata-se, portanto, de uma fração absolutamente marginal do orçamento, com elevado impacto social, ao viabilizar campanhas de saúde, educação, segurança e serviços essenciais à população.
Causa estranheza, no entanto, que o mesmo parlamentar que critica o investimento público em comunicação faça uso recorrente dessa ferramenta para promover suas próprias ações. Em 2025, foram destinados R$ 392.512,99 em serviços de comunicação, acrescidos de R$ 36.000,00 em impulsionamento digital. Em 2024, os valores chegaram a R$ 410.260,89, também com R$ 36.000,00 em impulsionamento.
Quando analisados à luz da verba anual de gabinete, esses montantes representam uma parcela significativa dos recursos disponíveis, evidenciando, na prática, o reconhecimento da comunicação como instrumento indispensável de visibilidade e prestação de contas. Criticar aquilo que se utiliza de forma sistemática não contribui para um debate sério, apenas expõe incoerência.
Reduzir uma política pública estruturante a um discurso simplista é ignorar deliberadamente a importância da comunicação e desconsiderar toda uma cadeia produtiva que envolve veículos de imprensa, emissoras de rádio e televisão, portais, produtoras, agências e milhares de profissionais que atuam no setor em todo o estado.
O debate público exige responsabilidade, coerência e compromisso com a verdade. Especialmente quando se trata de temas que impactam diretamente o direito à informação da população e a sustentabilidade de um segmento que gera emprego, renda e desenvolvimento para o estado.
O MIDIACOM RN reafirma seu compromisso com a valorização da comunicação profissional, ética e responsável, e com o direito da sociedade de ser bem informada.
MIDIACOM RN
Sindicato das Empresas de Rádio, Televisão, Jornais, Portais e Revistas do Rio Grande do Norte.




