“Não tenho apego ao cargo e a mandato”, disse o prefeito de Mossoró, Alysson Bezerra. A frase soa bem, mas não resiste a uma análise mínima da realidade política. É mais fantasia do que convicção.
Se realmente não tivesse apego a cargos ou mandatos, Alysson não estaria se colocando como candidato a governador do Rio Grande do Norte. Tampouco articularia a candidatura da própria esposa, Cinthia Pinheiro, a deputada estadual. As articulações são claras, objetivos e revelam ambição de poder, não desprendimento.
O discurso do desapego funciona como retórica para consumo público, mas a prática mostra outra coisa: a construção de um projeto familiar e político contínuo, onde cargos e mandatos se sucedem como peças de um mesmo tabuleiro. Nada de errado em disputar eleições, desde que se assuma isso com transparência e sem frases de efeito.




É jovem. As pesquisas estão favoráveis. Reeleito prefeito da segunda maior do Estado. Tem aliança com nomes bons de voto. A concorrência está retalhada. Tá de melé solto.