21/ago/2017

Vamos rezar pelas irmãs do Abrigo de Caicó


Por Robson Pires, em

Fomos, durante anos, pároco de São José, na cidade de Caicó, em cujo território está situado o Abrigo Professor Pedro Gurgel, última obra social de nosso saudoso Dom José de Medeiros Delgado, primeiro bispo diocesano. Somos testemunhas do grande bem espiritual e da atividade pastoral e missionária da comunidade religiosa, que está ainda à frente daquela Instituição.

Acreditamos que o problema está posto apenas do ponto de vista meramente administrativo, (em termos de congregação religiosa) e até mesmo canônico. É incontestável a autonomia de uma ordem, congregação ou associações de direito pontifício, diante das autoridades diocesanas.
Infere-se pela leitura atenta da carta enviada ao Excelentíssimo Senhor Bispo Diocesano, que o argumento e o pretexto usados pela autoridade congregacional, oriundo do Recife, para a retirada das irmãs são sobretudo a missionariedade. Ora, é exatamente em nome dessa missionariedade que levantamos a nossa voz.

Para administrar a Associação Mantenedora do Abrigo – é evidente – grupos laicos poderão fazê-lo bem, pois não é insólita a ação de tantos cristãos leigos dirigindo obras da Igreja: colégios, abrigos e várias outras instituições.

O que se pretende são: a) o testemunho de vida religiosa, b) a presença eclesial, c) o trabalho missionário e apostólico da comunidade das irmãs vicentinas.

Se é em nome da missionariedade, é preciso ter em mente que a comunidade do Abrigo foi uma das mais missionárias, pastorais e apostólicas que conhecemos, nos anos que atuamos como presbítero na diocese seridoense.

Homens de bem, religiosos, sacerdotes e leigos engajados tiveram a primeira semente de vida presbiteral, religiosa ou profissional plantada no seio do Abrigo. Cabe recordar que essa entidade não é e não era apenas uma instituição que cuidava de idosos. Nem é isso o que se deseja e aspira. O Abrigo era e poderá continuar sendo um centro de evangelização e pastoral. Isto não está sendo discutido. A cruzada eucarística, a juventude mariana, o apostolado da oração, as equipes de oração e estudos bíblicos, a escola anexada ao Abrigo etc. animados pelas irmãs do Abrigo foram celeiros de vocações e sacramento do Cristo nessa cidade seridoense.

Há um legado de vida eclesial que não pode ser esquecido. O que está em questão não é a administração material e patrimonial do Abrigo, como obra social. É o testemunho e a vivência de Igreja da comunidade religiosa e o que as freiras representam para o Povo de Deus. Não olhar para este aspecto é ignorar o carisma vicentino marcado de sensibilidade e amor pelos pobres. O Bairro da Paraíba é um espaço ideal para a inserção de uma comunidade vicentina, por isso sente-se o grito do Povo de Deus. Convém perguntar: o que seriam de Monsenhor Raimundo Sérvulo da Silva, Padre José Tadeu, Dr. José de Bento e tantos outros formados pelas mãos das religiosas filhas da caridade do Abrigo? São apenas alguns nomes entre milhares. Durante quase 67 anos, incontáveis são os homens de bem, que foram plasmados em sua personalidade pelas irmãs do Abrigo.

Deve-se ainda questionar: se o testemunho de vida cristã e religiosa, a construção do Reino de Deus, os frutos espirituais são inúmeros, por que então ceifar essa obra? Ao contrário, ela deverá ser reforçada para que encha de mais frutos a diocese de Caicó.
Se o argumento é a missionariedade, não vemos por que e como terminar um trabalho tão profícuo. É de bom alvitre dizer que o povo tem memória e gratidão.

Agradecemos os esforços das autoridades diocesanas, na pessoa do seu bispo, aos leigos e a todos aqueles que lutam para que continue de pé um trabalho de evangelização, tão marcante na vida da cidade e da diocese caicoense.
Deus abençoe a todos. Rezemos a Maria Santíssima e a Dom Delgado, grande pastor de nossa igreja seridoense, para que iluminem as autoridades religiosas a fim de rever, com urgência, essa decisão de querer retirar as religiosas vicentinas do Abrigo.
Em Cristo, fraternalmente,

PADRE DR. JOÃO MEDEIROS FILHO
Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, Academia Mossoroense de Letras, Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte e do Conselho Estadual de Educação


1 Comentário

  1. Dilsenor dos Santos Monteiro disse:

    Que idade tem esse bispo? Será que ele não ficaria constrangido se lhe fosse aplicado essa mesma imposição, nos moldes do período da inquisição, quando completar 90 anos?
    Estamos voltando ao período das trevas? Onde está o amar ao próximo ensinado pelo Cristo?
    Já imaginaram se Jesus tivesse adotado essas mesmas medidas com seus apóstolos bem amados, simplesmente por estarem envelhecendo?
    Quando a Igreja vai voltar às práticas dos primeiros cristãos? Fica a pergunta para reflexão.
    Sou filho de Caicó e vivi os melhores dias da minha infância, frequentando o Abrigo, onde obtive os maiores exemplos que nortearam a formação do meu caráter e meus primeiros passos na minha formação cristã.
    A irmã Lúcia, com quem tive uma convivencia inesquecível, considero-a uma fiel seguidora do Cristo.

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