18/mar/2019

Troca de mensagens com ameaças a escola suspendem aulas


Por Robson Pires, em

Uma troca de mensagens via Whatsapp, na qual quatro estudantes tramavam cometer atentados no Centro Educacional Gisno, escola pública no Plano Piloto, em Brasília, resultou no cancelamento das aulas matinais, prejudicando a rotina dos estudantes que cursam o ensino médio no colégio. A Polícia Civil informou que o caso será submetido à apreciação judicial e os menores poderão responder por ameaça e incitação ao crime.

As mensagens foram trocadas entre a noite de ontem (17) e a madrugada desta segunda-feira (18). Nelas, os estudantes – três deles de 17 anos e um com 18 – combinam “fazer uma competiçãozinha de quem mata mais” na escola. Um deles diz aceitar “fazer parte da linha de frente no massacre”, e outro detalha como o atentado deveria ser executado.

“Pelas janelas de trás (áreas de escoteiros), lançar bombas de gás lacrimogênio nas três primeiras salas, e efetuar disparos com revólver nas últimas a fim de colocar todos para correr. Depois dar a volta… eliminando todos que for possível, que estarão trancados por conta do portão”, recomenda uma das sete mensagens às quais a Agência Brasil teve acesso.

Em outra mensagem, um estudante disse já ter posicionado armas, bombas e munição em pontos estratégicos da escola.

Algumas das mensagens foram vazadas para um grupo maior de alunos e, em seguida, para a inteligência da Polícia Civil que, de imediato e com a ajuda de funcionários da escola, localizou um dos três menores, que depôs no início da madrugada de hoje.

Segundo o delegado chefe da Delegacia da Criança e do Adolecente (DCA-1), Vicente Paranahiba, foi feita uma vistoria na casa do estudante e nada foi encontrado. Ao acessarem o celular do menor, os policiais localizaram a conversa trocada com os outros três colegas, na qual o atentado estaria sendo tramado.

“Ele veio à delegacia acompanhado da irmã, que se apresentou como responsável. No depoimento, ele disse que a história não passou de uma brincadeira, e que não teria ‘coragem de fazer o que estava sendo tramado’. No entanto [durante a oitiva], ele teceu elogios ao atentado ocorrido em Suzano. Ao que parece, esses garotos foram negativamente influenciados pelo ocorrido em Suzano”, disse o delegado, referindo-se ao caso que resultou recentemente na morte de dez pessoas.

De acordo com a irmã, que acompanhou o estudante na condição de responsável por ele durante o depoimento feito nesta madrugada, o garoto apresenta problemas psiquiátricos, já tendo inclusive agredido a mãe, além de ter tentado suicídio. Ainda segundo a irmã, o garoto foi vítima de bullying, pratica que pode ter contribuído para aumentar sua agressividade.

Um outro estudante, ouvido já durante a manhã de hoje, também apresenta problemas comportamentais e familiares. “Um deles inclusive fez autoflagelação na mão, onde foi desenhada uma suástica”, acrescentou o delegado.

POR AGÊNCIA BRASIL


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