Maricultoras de Rio do Fogo vão triplicar produção de algas marinhas com sede própria

Com uma vida inteira dedicada à maricultura em Rio do Fogo, Nízia Silva, 50, está rindo à toa. A sede da Associação de Maricultoras (Amar) está perto de ficar pronta, acabando com uma espera de 13 anos das mulheres pelo prédio próprio. Estão sendo investidos R$ 329 mil na construção da sede e aquisição de equipamentos, que farão a produção de algas triplicar. É o projeto de economia solidária do Governo do RN, por meio do Governo Cidadão, Sethas e Banco Mundial, que está mudando a vida de 16 mulheres e suas famílias em Rio do Fogo.

“Quando penso que não vou mais pedir dinheiro ao meu marido porque agora vou ter o meu, fico feliz demais. Acho que vamos ganhar muito mais de um salário mínimo, é um sonho realizado”, projeta Nízia, que já conseguiu comprar micro-ondas, gelágua e umidificador de ar com o que ganhou cultivando e beneficiando algas marinhas. Ao longo dos anos ela venceu não só as ondas do mar, mas também o ciúme do marido com seu trabalho.

“Quando precisava viajar era uma luta. Passava mais de uma semana sem falar comigo”, conta aos risos. Nízia faz parte do grupo pioneiro no Brasil a possuir licença para explorar algas marinhas em 10 hectares do Oceano Atlântico. A planta é beneficiada e se transforma em pó, farinha, mousse, gelatina, cocada, biscoito e bolo, rendendo uma média de R$ 700 por mês para cada associada. As maricultoras já ganharam até o mercado de São Paulo, com uma empresa que é fiel compradora da farinha.

Para Luzia Cruz do Nascimento, 42, maricultora há 13 anos, uma das conquistas será o novo moinho, que também está incluso no projeto. Na unidade de beneficiamento elas irão lavar, secar e triturar as algas, deixando para trás o estabelecimento emprestado que usam atualmente. “Comércio é o que não falta pra gente. O que estava faltando era o prédio e já está perto de ser concluído. Agradecemos muito por estarmos realizando esse sonho”, comemora.

Os planos das maricultoras incluem aderir aos programas governamentais de merenda escolar para o fornecimento de alimentos e, para os outros produtos, conquistar novos mercados em todo o estado. As obras de construção da sede estão em 80%, com previsão de conclusão em janeiro de 2018.

Ricas em colágeno e em minerais como cálcio, ferro e iodo, as algas também são boas fontes de proteína, carboidrato e vitamina A. Costumam ser utilizadas com cunho medicinal para os ossos, devido ao cálcio, para regular o intestino pelas fibras e na pele para auxiliar no rejuvenescimento. A alga desidratada é muito utilizada em saladas de frutas e de verduras.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Posts Recentes

outubro 2021
DSTQQSS
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31 
Categorias

Universidade em defesa dos jumentos

Um grupo da Universidade Federal do Semiárido (Ufersa) está estuda um destino mais honroso aos jumentos abandonados nas estradas potiguares. Segundo o professor Valdir Fonseca,

Leia Mais