Artigo: Fátima sem segredos. Por Alex Medeiros

Não são poucos os empresários que comentam, tanto com Fernando Bezerra quanto com os líderes do PMDB, o desconforto político de juntar numa mesma chapa um nome icônico dos negócios privados com um perfil esquerdista como o de Fátima Bezerra (PT).

O desejo enorme de se compor numa chapa como a senadora oficial da família Alves, recompõe em Fátima um deslize eleitoral praticado nos anos 80, quando refutou um convite de Aluizio Alves para uma conversa e o consequente apoio do velho líder.

A petista enfrentava Wilma de Faria e passou ao segundo turno, deixando para trás o candidato dos Alves, que naquele instante político não tolerava a então mulher de Lavoisier Maia. O PT também tinha aversão à Wilma, tratada como primeira dama do AI 5.

Aluizio, então, mandou um recado para que Fátima fosse até seu escritório da Tribuna do Norte, na Ribeira, deixando claro na abordagem do interlocutor que daria o apoio do PMDB e da sua máquina de comunicação ao PT. Ela ignorou e perdeu a campanha.

Pouco tempo depois, os petistas fizeram de Wilma sua líder eleitoral e a apoiaram em várias disputas. Levaria mais tempo para o processo de aproximação com o PMDB. O tal petismo de resultado fez Fátima conviver com os chamados burgueses do RN.

Mas isso não significou uma mudança no preconceito histórico do PT com o empresariado. Por diversas vezes, Fátima demonstrou na prática não sentir-se bem no mesmo campo de luta do mercado privado. Sua atuação parlamentar comprova isso.

Correr atrás de Garibaldi Filho e Henrique Alves para ser a senadora numa composição com o PMDB é apenas a história repetida como farsa, após aquele antigo convite de Aluizio Alves. O projeto pessoal travestido de estratégia partidária em nome de Dilma.

Aliás, projetos pessoais tem sido uma dinâmica na trajetória petista em Natal, dominado nos últimos trinta anos pelos interesses de Fátima Bezerra e Fernando Mineiro, cada um controlando uma banda da legenda e ensaiando disputas internas ditas “democráticas”, mas com os mesmos vícios da extinta UDN.

Juntar-se numa chapa com Fernando Bezerra, um símbolo dos negócios privados na história do Rio Grande do Norte, e do Brasil, também não significa que o preconceito de Fátima com o capital deu um tempo. É o tal do petismo de resultado que falou um sociólogo.

O tal discurso coletivista e de interesse público que o PT prega há anos é só uma retórica típica dos movimentos de esquerda e até dos chamados movimentos sociais, onde alguns líderes aboliram o revezamento e vão se autosucedendo pela vida afora.

Os anos que separam o começo da aliança com Wilma e a busca pelo apoio dos herdeiros de Aluizio têm o mesmo tecido temporal que embrulhou o discurso de Lula contra Collor e Sarney para reabri-lo depois numa amizade política sem paralelos.

A estrela do PT e de Fátima já não tem o brilho das coisas inovadoras, nem anuncia novidades. Orbita num espaço de dejetos semelhantes, apenas um símbolo envelhecido tentando carregar um sonho desfeito. A senhora Fátima, enfim, já não tem segredos. (AM)

Uma resposta

  1. Fátima, Lula, Hadad, Dilma, Mineiro, tudo farinha de um saco que não tem escrúpulos em se unir até a satanás, contra tudo que pregou durante toda a sua história. Como fez Lula se unindo a Maluf, Collor, Sanney, O que eles querem é ganhar eleição. Sem ideologia nem ética. Este é o PT. Se eu fosse Fernando Bezerra, eu era quem não queria se juntar a essa corja.

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