Advogada trans presa por tráfico é liberada em audiência de custódia e faz graves acusações à polícia

A primeira mulher trans a obter um registro profissional de advogada no Rio Grande do Norte, Maitê Ferreira Nobre, já está em liberdade.

Ela foi presa em flagrante na madrugada dessa quinta-feira, 28, com dois pés de maconha dentro de casa, em Mossoró. A apreensão do material ocorreu durante uma operação de rotina da Polícia Militar.

Durante a abordagem, os policiais encontraram uma pequena quantidade de maconha. No local, os policiais localizaram a advogada com mais droga e dois pés de maconha, que eram cultivava em jarros. Maitê Ferreira foi presa em flagrante e encaminhada a Delegacia de Plantão, onde foi autuada no artigo 33, por crime de tráfico e cultivo de droga. Após audiência de custódia, realizada ainda na quinta-feira, Maitê foi liberada por volta das 19h.

Depois da liberdade e breve passagem pela Penitenciária Agrícola Mário Negócio, a advogada agradeceu o apoio que recebeu da OAB-RN e fez graves acusações a polícia. “Estava eu dormindo quando em alguma hora no início da madrugada da qual não tenho certeza desperto, atordoada, com um tapa na cara e homens armados gritando: “bora, bora, cadê o dinheiro?”; “a casa caiu, você foi presa por tráfico de drogas”. Levantavam a pequena porção de maconha na mão, e reviravam minhas gavetas em busca de algo a mais. Fui algemada assim que me levantei da rede, mesmo sem oferecer qualquer resistência“.

A advogada conta como foi sua “recepção” ao chegar nas dependências da penitenciária. “Fui recebida pelas agentes penitenciárias, que recolheram todos meus pertences e acessórios, me deram novas roupas, me mandaram tirar a roupa e me agachar três vezes. Até esse momento, as agentes não sabiam que eu era mulher trans, além de advogada, possuindo o direito a uma cela especial prevista em lei. Este tipo de cela especial não existe na Penitenciária Mário Negócio“.

Maitê ainda fez confissões sobre a utilização da maconha para fins “social e cultural e terapêutico”. “venho aqui tecer uma confissão pública: sou sim consumidora de Cannabis, vulgarmente conhecida como “maconha”. Sendo uma pessoa que sofre com crises intermitentes de ansiedade, que podem me levar até a me arranhar e me ferir, além de Transtorno de Déficit de Atenção, que tenho diagnosticado. Meu uso da cannabis não é apenas social e cultural, mas também terapêutico“.

FM

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