2020: O ano que não existiu

No Brasil existe uma expressão muito popular, que diz que “o ano começa depois do carnaval”. Uma expressão que muita gente, assim como eu, detesta, porque reforça ideia de que somos um povo preguiçoso e avesso ao trabalho, o que não corresponde à realidade. Essa frase não representa, em nada, os milhões de brasileiros e brasileiras que, todos os dias, se esforçam em busca de colocar comida nas mesas de suas famílias.

E se essa frase já não fazia sentido ao longo dos séculos, agora em 2020 muito menos. Isso porque o ano, em vez de começar, simplesmente terminou após o carnaval. Ou, para os que acreditam na famosa frase, nem começou.

Aliás, como não é proibido achar nada, eu me dou ao direito de achar que a realização da festa mais popular do Brasil, em 2020, tem a sua parcela de culpa na não existência do ano. Afinal, o planeta já estava ciente da ameaça global que estava por vir. A COVID-19, que ainda nem tinha recebido esse nome (era tratada apenas como a doença do novo coronavirus), já se espalhava pela Ásia no mês de janeiro, pouco mais de um mês depois da identificação dos primeiros casos, na cidade de Wuhan, na China.

Talvez a forma como era noticiada logo no começo, dizendo que era uma doença com uma baixa letalidade e que cerca de 2% das pessoas morriam, fez com que ninguém se preocupasse tanto. Afinal, eram apenas 2% e eram pessoas do chamado “grupo de risco”. Não havia necessidade de “fechar as nossas portas”.

Como eu disse, não existem dados que provem que o vírus chegou ao Brasil durante o carnaval, pelo menos não os conheço. Mas todos sabemos a quantidades de turistas que o nosso país recebe, de diversas partes do mundo, durante o período carnavalesco é gigante. De acordo com dados do Ministério do Turismo, as cidades do Rio de Janeiro, Salvador e Olinda, onde acontecem os carnavais mais famosos do país, reuniram 22,1 milhões de foliões, somente em 2020. Bem, se isso não for o cenário perfeito para propagação de um vírus, eu não sei mais o que é.

O fato é que no dia 26 de fevereiro, tivemos a confirmação do primeiro caso de COVID-19 no Brasil. No dia 11 de março, a Organização Mundial da Saúde declarou que se tratava não mais de uma doença localizada em alguns países, mas de uma pandemia. Ou seja, já era uma ameaça presente em vários continentes, com transmissão contínua entre as pessoas e, claro, o Brasil não estava fora da lista. Por isso, estamos tendo que, assim como grande parte do globo terrestre, parar para nos resguardar em nossas casas.

Este texto está sendo escrito no dia 1º de abril, o qual algumas pessoas costumam chamar de “Dia da Mentira” e, eu gostaria muito de dizer que tudo que escrevi acima, se tratava de uma fantasia, mas infelizmente, não é. Hoje já há cerca de 1 milhão de casos confirmados no mundo e seguimos pedindo a Deus que tudo isso possa passar para voltarmos às nossas vidas normais e quem sabe assim, mesmo com o atraso de alguns meses, finalmente 2020 possa começar.

Por Wanderley Filho (Paraíba Notícia)

Uma resposta

  1. Concordo. O povo só vai na base do pânico. Lembro, no início da década de 80, dizerem que a nova doença chamada de AIDS era doença de baitolas enviada por Deus pra acabar com esses pecadores. Não foi assim. Era um vírus que veio pra ficar e tá aí até hoje. E, como o covid-19 não respeita classe social, nem sexo, cor da pele, nem nada. Sobrevivemos à AIDS. Os especialistas, como hoje, alertavam pra beijo na boca, sexo anal e troca de seringas, já que a contaminação era por sangue e saliva.

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